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Tudo passa pela boca. A fome e a palavra nascem, moram e morrem no mesmo lugar. Em seu primeiro livro de poesia, Laura Conti se liberta de explicações, exibe-se sem desculpa e sem vergonha. O erotismo, a raça, o desejo, o cotidiano miúdo, os invisíveis e os impossíveis, ditos aqui, matam fome. "De barriga cheia a gente come o mundo" é composto de gestos: sentir vontade, pôr na boca, mastigar, engolir, dar ânsia e digerir. Uma refeição que começa antes do primeiro verso, termina depois do último, passando pelo corpo inteiro de quem lê.
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